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Estudantes Casos de Sucesso David Pires
DAVID PIRES

Licenciatura em Gestão da Construção

1. A área da construção sempre despertou o seu interesse? Porquê?

Desde muito novo, por influência familiar, a construção civil despertou o meu interesse. O meu pai era promotor imobiliário na área da habitação e o trabalho que desenvolvia, que muitas vezes acompanhei, acabou por despertar o interesse de tal forma que viria a condicionar as escolhas que tomei logo desde o ensino secundário, ao optar pela via do ensino técnico profissional com o curso de desenhador projetista.

2. Ingressou na Escola Superior de Tecnologia do Barreiro do IPS através do concurso Maiores de 23 anos. O que motivou a sua escolha?

Em 1997, terminei o curso técnico profissional de desenhador projetista, que me abriu portas para o mercado de trabalho em 1998, momento em que ingressei numa Câmara Municipal para desempenhar funções como desenhador. Passados alguns anos, com o intuito de dar seguimento há minha evolução profissional na instituição que representava, precisava testar em primeiro lugar se o período que tinha estado sem estudar me permitia enfrentar uma licenciatura, para que esta evolução fosse sustentada e não um fracasso. Com efeito tive conhecimento que a Escola Superior de Tecnologia do Barreiro ia abrir um Curso de Especialização Tecnológico (CET) em Construção e Obras Públicas, em horário pós-laboral, o que me permitia evoluir profissionalmente, manter o meu emprego, assim como perceber quais seriam os meus limites no curto período de tempo que este curso tinha comparado com uma Licenciatura. Decorrido com sucesso o ano letivo e uma vez que a parte mais difícil, de voltar a estudar, já tinha sido ultrapassada, resolvi então não aguardar pelo fim da totalidade do curso CET, tendo-me candidatado ao concurso Maiores de 23 anos e ingressado na Licenciatura Gestão da Construção, pós-laboral.

3. Como recorda os tempos de estudante?

Recordo os meus tempos de estudante como uma mistura de emoções, pois estava rodeado de estudantes que se encontravam todos naquele local e àquelas horas (após um dia de trabalho) com o objetivo de evoluir pessoal e profissionalmente, o que suscitava um grande espírito de entre ajuda, bem como por um corpo docente que sempre transpareceu compreender o esforço que estas pessoas faziam e que muitas vezes funcionavam como elemento motivador, que nos permitia permanecer e continuar. Por outro lado, existiram muitos momentos de frustração, muitas horas a estudar e a fazer os trabalhos após o período de aulas, mas principalmente porque privámos e sacrificámos as nossas famílias da nossa companhia para que cumpríssemos os nossos objetivos. Resumindo recordo os meus tempos de estudante como um esforço agora recompensado.

4. A nível profissional, o que mudou após a realização do curso e com a aquisição de mais conhecimentos?

Desde a realização do meu curso, posso seguramente dizer que a minha vida mudou por completo. Evolui pessoalmente e profissionalmente, deixei o emprego que tinha na Câmara Municipal e tive o privilégio de entrar para uma empresa que desenvolve a sua atividade na área de Gestão e Coordenação de Projetos/Empreitadas, que apostou em mim, apesar de ter terminado a licenciatura há pouco tempo.

5. Qual o trabalho e local em que mais gostou de desempenhar funções? E porquê?

O trabalho que desenvolvo atualmente, na empresa Galbilec – Gestão e Coordenação de Projectos, Lda., é a função que vi muitas vezes o meu pai a desempenhar e é aquela que me fez despoletar todo este meu processo académico, sendo que destaco duas obras, às quais tenho um enorme carinho pelos diversos motivos.

Uma, a primeira obra que geri e fiscalizei, foi a construção do Centro de Apoio a Deficientes Profundos Luis da Silva, em Borba, dirigida para um público-alvo muito específico e por existirem carências deste tipo de equipamentos a nível Nacional, logo senti desde o primeiro dia um enorme comprometimento em desenvolver a minha função da melhor forma possível, para que estes utentes no decorrer do usufruto deste equipamento pudessem evoluir. A segunda foi a Construção, Alteração e Conservação do Palácio do Raio, em Braga, que foi construído entre 1752-55, por encomenda de João Duarte de Faria, ao arquiteto bracarense André Soares, constituindo um dos mais notáveis edifícios de arquitetura civil de Braga, em estilo barroco joanino. A reabilitação teve como principais objetivos a sua recuperação, com vista a assegurar a sua conservação patrimonial, garantir a segurança de pessoas e bens e a criação de um novo espaço cultural. A complexidade desta intervenção contemplaram: a recuperação das fachadas, da escadaria central, do lanternim da escadaria central, dos azulejos, tetos, pavimentos e paredes, cantarias e estatuária em pedra, pintura decorativa e estuques. Todas as intervenções foram acompanhadas e supervisionadas pela Direção Regional de Cultura do Norte e venceram dois prémios Nacionais: O Prémio Nacional de Reabilitação Urbana 2016, na categoria de Impacto Social e o Prémio SOS Azulejo 2015, na categoria Conservação e Restauro do Património Azulejar.

6. De futuro o que ainda há para fazer e alcançar?

De futuro, e assim que me seja possível, tenho como objetivo prosseguir com o Mestrado em Conservação e Reabilitação do Edificado, que é lecionado na Escola Superior de Tecnologia do Barreiro. Profissionalmente… bem existem ainda muitas metas para alcançar.

outubro de 2016