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Estudantes Casos de Sucesso Nuno Soares
NUNO SOARES

Licenciatura em Animação e Intervenção Sociocultural

1. Como surgiu a ideia de frequentar o curso de Animação e Intervenção Sociocultural?

Estar ligado ao movimento associativo popular em Setúbal, desde os 17 anos (1987), e ser Técnico Profissional de Arquivo no Arquivo Municipal/Câmara Municipal de Setúbal motivaram-me a começar a frequentar o curso, em 2007, bem como devido às saídas profissionais que este proporcionava e à preparação para a minha vida pessoal e profissional que sabia que iria obter.

2. Porque escolheu a Escola Superior de Educação do IPS para realizar os seus estudos?

Decidi estudar na ESE/IPS pela oferta curricular e por ser uma instituição de referência no ensino nesta área das ciências sociais (Animação e Intervenção Sociocultural), para além de não ter custos extra em deslocações para outra cidade, pois vivo e trabalho em Setúbal. Achei a ESE/IPS muito agradável e organizada. No meu caso como trabalhador/estudante, a questão da proximidade entre o local de trabalho e a instituição académica também pesou na minha decisão.

3. Quais foram os desafios e dificuldades que encontrou durante o curso? E quais os melhores momentos que recorda?

No curso encontrei um grupo de professores preocupados em capacitar os seus alunos, apresentando um grau de exigência e profissionalismo elevados, mas estando ao mesmo tempo sempre disponíveis para esclarecer as nossas dúvidas e dar-nos todo o apoio necessário.

Deparei-me ainda com uma turma de colegas de diferentes áreas do distrito e do país que tornaram a aprendizagem muito estimulante e interessante, ajudando-me a superar as dificuldades que surgiram ao longo dos 3 anos de licenciatura.

Ao longo da licenciatura consolidei o gosto pela Animação Sociocultural, mas mais do que isso descobri a importância do papel social a desempenhar, das relações entre os indivíduos, assim como entre os indivíduos e a sociedade, do acesso à cultura, formação e criação.

Uma das coisas que mais gostei ao longo de todo o meu percurso foi a oportunidade de explorar inúmeras atividades extracurriculares. A exigência característica da ESE/IPS é acompanhada de um ambiente de entreajuda e companheirismo. As amizades que surgiram desde o primeiro dia facilitaram a integração e permitiram a existência de um bom ambiente.

4. Descreva- nos uma situação em que considerou que tinha feito a escolha certa relativamente ao curso e área em que trabalha?

Quando coloquei em prática na minha atividade profissional as inúmeras matérias e atividades que foram desenvolvidas ao longo do curso de licenciatura, que me facilitam o trabalho diariamente. Sem dúvida alguma, o curso é uma preparação para a nossa vida profissional, nele desenvolvemos e aprendemos várias técnicas de atuação, para os diferentes contextos e dirigidas aos vários públicos- alvo.

5. Fale-nos sobre a sua experiência profissional. Como foi desenvolver o serviço educativo do Arquivo Municipal de Setúbal? E qual o significado de ver esse trabalho reconhecido com a publicação de papers?

Quando coloquei em prática na minha atividade profissional as inúmeras matérias e atividades que foram desenvolvidas ao longo do curso de licenciatura, que me facilitam o trabalho diariamente. Sem dúvida alguma, o curso é uma preparação para a nossa vida profissional, nele desenvolvemos e aprendemos várias técnicas de atuação, para os diferentes contextos e dirigidas aos vários públicos-alvo.

O Arquivo Municipal de Setúbal é detentor de um vasto e rico património documental representativo da identidade cultural do povo Setubalense, onde se evidencia a importância do arquivo, sensibilizando os alunos para os cuidados a ter com os livros e documentos, a importância de se salvaguardar a informação e como o conhecimento desses documentos é essencial para se conhecer melhor o nosso concelho.

Para uma maior proximidade com a comunidade educativa foi desenvolvido o projeto “O Arquivo Municipal vai à tua escola”. Este projeto dá aos alunos a oportunidade de poderem entrar em contacto direto com a realidade do património documental e promove um processo ativo do conhecimento, assumindo-se como um espaço privilegiado de sociabilidade e como um importante e forte instrumento pedagógico.

As atividades educativas desenvolvidas pelo arquivo têm sido uma ferramenta importante para o exercício da cidadania, contribuindo para a importância e representatividade de um arquivo para um indivíduo e sociedade, para a mudança da conceção predominante que se tem dele e dos seus documentos. Estas atividades auxiliam também a desmistificar a ideia que a maioria da população (crianças, jovens e adultos) têm, neste caso uma visão equivocada sobre “arquivo”, conhecido quase sempre como “arquivo morto”, sinónimo de um lugar muitas vezes escuro e cinzento, sem luz e com “ratos de arquivo”, em que se guardam “papéis velhos” e sem utilidade e a ideia que os arquivos são espaços fechados.

Através do desenvolvimento do “Projeto AnimArq” nasceu o Serviço Socioeducativo, com o objetivo cativar novo público, mais vasto e alargado, e o gosto pela história local, incitando o contato com as fontes primárias (documentos originais) e despertando hábitos de pesquisa e visitas guiadas ao arquivo.

Em meados de junho de 2015, finalmente a concretização do nosso anseio, a criação do Serviço Socioeducativo do Arquivo Municipal de Setúbal e designado por despacho (Despacho nº 69/DIAG/2015 de 02/09/2015), sendo que o trabalho do serviço efetivamente começou em 2010.

Com os conhecimentos conseguidos pela frequência do curso Técnico Profissional de Arquivo e os conhecimentos e metodologias adquiridas na licenciatura em Animação e Intervenção Sociocultural, foi um desafio encontrar estratégias de comunicação para que os professores e alunos se envolvam.

Definimos como grande prioridade a fidelização dos agrupamentos de escolas, através da interação com os alunos e público e com a implementação do projeto e oficinas, que acentuaram a função de abertura à comunidade, em particular educativa, pois notava-se que existia um desconhecimento das funções do Arquivo Municipal de Setúbal.

Agora os professores e alunos comentam que existe um arquivo municipal, sabem o que conserva e preserva, que não é uma biblioteca, é designada como a casa da memória. Passados seis anos notamos muitas diferenças, foi reconhecido o nosso espaço, criámos empatia entre a comunidade educativa, quer ao nível da linguagem, técnicas e planificação utilizada e o reconhecer que o serviço socioeducativo ajudou a mudar mentalidades. Realço o efeito positivo que tivemos juntos dos alunos menos motivados, e com baixa autoestima, alcançámos bons resultados nos objetivos traçados e cumpridos, a vitalidade, a alegria, a iniciativa e a imaginação, sem dúvida fazem evoluir e afirmar o Serviço Socioeducativo.

6. Quais são os seus projetos para o futuro?

Ampliar a abrangência do Serviço Socioeducativo, diversificando iniciativas, num processo que acompanha o desenvolvimento do próprio conceito de função educativa, cultural e social do arquivo. Pretendemos incentivar articulações institucionais e alargar a função educativa, cultural e social, de forma a desenvolver projetos que estimulem a criatividade e a partilha intergeracional e multicultural. De futuro, pretendemos ainda contribuir para uma maior diversidade das atividades oferecidas, destinadas a diversas franjas de público e respondendo de forma qualificada à sua exigência crescente.

7. Que mensagem deixa para os estudantes que em breve vão integrar o mercado de trabalho?

Que se desengane quem pensa que um Serviço Educativo ou Socioeducativo é tarefa fácil. Há que ultrapassar resistências, mentalidades implantadas, falta de valores, interesses instalados ou desinteresses. A persistência faz-nos continuar e jamais pensar em desistir daquilo que queremos construir e conquistar, mesmo cansados, às vezes, porque somos humanos mas nunca desistir dos nossos objetivos e projetos.

dezembro de 2016