This Page is not available in English  

Saltar para: Menu Principal, Conteúdo, Opções, Login.

Estudar no IPS Casos de Sucesso Nuno Santos
NUNO SANTOS

Licenciatura em Tradução e Interpretação de Língua Gestual Portuguesa

1. Como surgiu o interesse pela Língua Gestual Portuguesa?

Desde cedo, enquanto criança, ao deparar-me com uma forma de comunicação diferente da minha, sempre tive vontade e interesse em tentar perceber como seria esta comunicação gestual e como seria elaborada a sua estrutura.

Este interesse foi aumentando ao perceber que existia uma barreira de acesso à mesma, ou seja, a maioria das pessoas não tinham o conhecimento da língua e fui percebendo que o número de Gestuantes era muito reduzido. Isto prejudicava severamente as pessoas com problemas auditivos. A balança da igualdade estava simplesmente desigual e daí surgiu também a ideia de adquirir conhecimentos nesta área, para balancear o peso da balança.

Depois com o passar do tempo, fui ganhando mais interesse no sentido de aprofundar o meu conhecimento, pois sendo eu uma pessoa comunicativa era importante não me limitar no mundo dos gestos. Queria ir mais longe.

2. E o que o motivou a optar por uma formação superior nesta área no IPS?

Sempre tive a vontade de aprofundar mais ainda o meu conhecimento de uma forma teórica e prática junto daqueles que são mais conhecedores da Língua Gestual Portuguesa, daí ter optado por escolher uma licenciatura no IPS.

3. O que recorda dos tempos de estudante e como foi a sua experiência de estudar no IPS?

Neste momento recordo saudade. Estudar no IPS é um mundo distante, repleto de magia, entre pares, entre pessoas, entre todos. É a saudade do moscatel, a saudade do verde do IPS, é inclusive a saudade das picadas dos “estefanilhos” (mosquitos).

4. É uma área que permite trabalhar em diferentes contextos. Como decorreu a sua integração no mercado de trabalho?

Entrei no mundo do trabalho de forma receosa, pois pensava sempre que não estaria à altura dos desafios que sabia que iria ter. Era um nível de exigência para o qual sentia que poderia não estar bem preparado. No entanto, temos a sorte de ter bons professores, hoje colegas, que até fora do IPS estão lá para nos dar todo o apoio quando necessário, contribuindo para que as coisas corram de forma harmoniosa.

Tudo acabou por correr bem e passados alguns meses do final do curso, em 2015, já estava integrado a 100% no mercado de trabalho.

5. Qual o tipo de trabalho e local onde mais gostou de desempenhar funções?

Sem dúvida na televisão, mais precisamente na SIC, pois estar a trabalhar em direto aumenta o nível de exigência e não há ninguém à nossa volta. Estamos focados numa pessoa virtual e depois temos milhares em casa a assistir e é um ambiente muito tranquilo. Os programas de entretenimento são algo “leve” comparativamente aos telejornais, onde tudo passa a correr, a uma velocidade estonteante.

Trabalhar nas escolas é também uma mais-valia, pois permite-nos crescer ao lado das pessoas surdas. Nós próprios aprendemos vocabulário específico dos jovens, vamo-nos adaptando e criando, inevitavelmente, um prazer e orgulho ao vê-los alcançarem as metas propostas.

6. Que mensagem deixa aos futuros profissionais de Tradução e Interpretação da Língua Gestual Portuguesa?

Que não basta só desejar. É uma profissão que exige que estejam bem preparados e como tal têm que tentar chegar a outros meios de reforço da aprendizagem. Não basta frequentar as aulas ou tirar o curso, devem procurar associações, pessoas surdas e ter contacto com essas associações e pessoas, pois todos os dias se aprende se algo novo. Só desta forma conseguirão estruturar-se para alcançarem bons resultados, bem como uma porta para um bom futuro. Não devem deixar de tentar e de errar, porque também aprendemos com os erros.

outubro de 2016