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Estudantes Casos de Sucesso Tiago Contreiras
TIAGO CONTREIRAS
Licenciatura em Comunicação Social

Aos 10, 11 anos de idade Tiago Contreiras descobriu a paixão pelo jornalismo. Ingressou na Escola Superior de Educação, e após a conclusão do curso deparou-se com a ingrata tarefa de procurar emprego. Mas uma coisa estava certa: queria ser jornalista e não desistiu do seu sonho!

Vamos conhecer melhor o Tiago Contreiras.

1. Como surgiu a paixão pelo jornalismo? Foi uma decisão precoce ou um acaso da vida?
O primeiro impulso surgiu durante uma visita de estudo ao extinto jornal A CAPITAL. Tinha 11 ou 12 anos de idade. Lembro-me de ter ficado completamente absorto pelo cheiro da redação. A certa altura, e graças à torrente de perguntas que colocava àqueles homens e mulheres, um veterano repórter disse que "estava ali um jornalista". Parece que acreditei naquelas palavras. Lembro-me também que, durante largos anos, guardei zelosamente o agora pré-histórico fotolito da primeira página do jornal com a data da visita. Outro episódio que considero marcante neste percurso profissional aconteceu poucos anos depois, durante uma conversa com uma jornalista. Penso que frequentava o 10.º ano de escolaridade. Por vezes, acho que isso ainda hoje acontece, recebíamos na sala de aula profissionais de diversas áreas com o intuito de partilharem com os alunos as suas experiências laborais. Recordo-me de beber todas as palavras daquela jornalista, e de ter ficado "engasgado" com a última frase. Disse-nos que era muito complicado atingir estabilidade profissional na carreira de jornalista, devido à volatilidade deste meio empresarial. Infelizmente, tinha razão. E continua a tê-la. Até tomar a decisão de concorrer ao curso de Comunicação Social da Escola Superior de Educação de Setúbal, encontrava-me encurralado entre aqueles dois sentimentos contraditórios. Por um lado, queria continuar a acreditar no vaticínio do veterano repórter d'A CAPITAL. Por outro, sentia-me espartilhado e receoso devido às palavras da jornalista. Acho que, no fim, consegui vencer o medo.

2. E o Instituto Politécnico de Setúbal? Porquê esta escolha?
Acabou por ser uma decisão fácil de tomar. O plano curricular do curso de Comunicação Social era do meu agrado, com uma enorme componente prática e estágios profissionais em todos os anos letivos. Sem esquecer uma vertente teórica aprofundada, imprescindível para qualquer candidato a jornalista. Para além disso, já tinha frequentado o ensino superior em Lisboa durante um ano e percebi que era extremamente complicado conciliar os estudos "fora de portas" com uma série de projetos pessoais que desenvolvia em Setúbal. Deste modo, como se costuma dizer, juntou-se o útil ao agradável.

3. Em cinco anos de curso certamente recorda-se de bons e maus momentos. Quais as maiores alegrias e dificuldades sentidas?
Quando ingressei no curso de Comunicação Social, este ainda era apenas um Bacharelato. Mais tarde, durante o percurso, evoluiu para o que apelidaram de Licenciatura Bietápica. Foram tempos algo confusos porque o plano curricular estava estruturado em três anos letivos e posteriormente foi alterado para cinco anos. Mesmo assim, todas as dificuldades foram ultrapassadas, quer pelos alunos, quer pela Escola. As melhores e mais enriquecedoras experiências ocorreram durante os estágios curriculares. Aprendi imenso na redação d'O SETUBALENSE, no primeiro ano letivo, e na redação da RÁDIO VOZ DE SETÚBAL, no segundo ano de curso. Ainda hoje mantenho contacto regular com os jornalistas que me guiaram durante os primeiros passos que dei na profissão. Por outro lado, vivia-se um ambiente altamente saudável nas salas de aula da ESE. A turma era um grupo heterogéneo de inconformados, espicaçado pelo intelecto e pelo conhecimento do corpo docente. Alegra- me verificar que muitos dos colegas com quem partilhei os anos de curso são agora os colegas com quem partilho a laboriosa tarefa de Informar.

4. Após terminado o curso em Comunicação Social, como foi a integração no mercado de trabalho?
Não foi fácil. Acho que é difícil em qualquer profissão. O elevado número de jovens licenciados que se encontram desempregados em Portugal é prova disso. Terminei o curso no início do ano 2000, após um estágio na RTP. Dediquei-me à ingrata tarefa de enviar candidaturas espontâneas, curricula vitae, cartas de apresentação para todas as empresas de Comunicação Social existentes no mercado. Sabia que queria ser jornalista e não estava disposto a abdicar desse desígnio. Porém, as respostas que recebia eram pouco auspiciosas. Nem assim desisti. Em Abril, recebi um contacto da Rádio Renascença. Convocavam-me para uma entrevista, na sequência duma candidatura espontânea que tinha enviado através da Internet. Fiquei surpreendido. Era a primeira resposta positiva que recebia após dezenas de missivas. Alguns dias depois, fui recebido pela Diretora de Recursos Humanos da empresa. Disse-me que era uma das grandes impulsionadoras do site da estação e que a minha candidatura tinha sido a primeira a chegar àquele domínio, apesar do site estar em funcionamento há alguns meses. Disse-me também que esperava receber um maior número de propostas porque via no jornalismo uma atividade dinâmica e empreendedora. A verdade é que ninguém tinha utilizado o site da Renascença para se candidatar a um trabalho na estação. Resumindo uma história longa, foi assim que consegui o meu primeiro emprego, num misto de sorte e perseverança.

5. Conte-nos um pouco do seu percurso profissional. O que fez? Por onde passou e quais as suas funções?
Como já referi, comecei a minha carreira na Rádio Renascença. Fazia parte da equipa de jornalistas responsável pelo site da estação. Entrava às 7 da manhã. Foram tempos duros mas bastante enriquecedores. Aprendi imenso. Lembro-me da grande azáfama provocada pela visita do Papa João Paulo II a Fátima. Acabei por deixar a Rádio Renascença pouco tempo depois, com grande mágoa. Tinha recebido um convite da RTP para reforçar a redação de Desporto durante o Campeonato da Europa de Futebol e os Jogos Olímpicos. Propuseram-me um contrato de quatro meses. Ou seja, troquei o certo pelo incerto. Não me arrependi. O contrato com a RTP terminou em Outubro. Surgiu a possibilidade de colaborar com a SportTv, onde estive durante cerca de um ano. Foi um período de trabalho bastante enriquecedor porque acompanhava diversas áreas do chamado Jornalismo Desportivo. Deixei a SportTv após ter sido escolhido, através de um concurso público da RTP, que visava selecionar uma equipa de duas dezenas de jovens jornalistas, para inaugurar o canal de notícias da estação pública de televisão. Depois de seis meses de formação intensa, no Centro de Formação da RTP, ingressei na Secção de Sociedade onde trabalhei durante um ano. Passados alguns meses, foi convidado para trabalhar na TVI. Estive um ano na estação de Queluz de Baixo, até ingressar no programa Prós e Contras da RTP, onde me encontro atualmente.

6. Descreva- nos como é um dia na redação da RTP.
Neste momento, como disse, desenvolvo a minha atividade jornalística no programa Prós e Contras da RTP, que é um programa semanal de debate. Os dias de trabalho são bastante stressantes com um volume de trabalho intenso, sobretudo à segunda-feira, dia de transmissão do programa. Sou responsável pela preparação das peças de enquadramento dos vários temas que semanalmente são debatidos. Esta tarefa implica um profundo trabalho de pesquisa e de acompanhamento quotidiano dos diversos assuntos. Tento sempre apresentar uma reportagem criativa, apoiada num ângulo de abordagem original, que acrescente o máximo de informação possível.

7. Que conselho(s) dá aos estudantes do Ensino Superior e aos recém- licenciados que andam neste momento em busca do primeiro emprego?
O mesmo conselho que me deram: trabalho, trabalho, trabalho.