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Estudantes Casos de Sucesso João de Deus
JOÃO DE DEUS

Licenciatura em Ensino Básico – Educação Física

João de Deus é antigo aluno do Instituto Politécnico de Setúbal.

Frequentou a Licenciatura de Professores do Ensino Básico, na variante de Educação Física, na Escola Superior de Educação do IPS, entre 1995 e 2001. Foi jogador no Vitória de Setúbal e, posteriormente, de clubes como o Desp. Beja, Seixal, Estoril, Lus. Évora e Barreirense. Em 2004, regressou ao clube de origem para encerrar carreira. Na época seguinte, tornou-se preparador físico do clube setubalense, integrando a equipa técnica liderada por José Rachão que venceu a Taça de Portugal, em 2005.

Mais tarde partiu para Cabo Verde, tornando-se preparador-físico e adjunto da seleção e, em 2008, selecionador Nacional AA e Diretor Técnico Nacional da mesma. No arranque da temporada, aceitou um novo convite, o do Ceuta, da II Divisão espanhola mas, recentemente, regressou a Portugal para treinar o Sporting Clube Farense, desafio que considera "aliciante, motivador e muito complexo em virtude da situação desportiva complicadíssima que o Clube atravessa".

A Licenciatura foi, para o seu percurso de vida, "um ponto de partida para a realização profissional, uma vez que foi em virtude da mesma que as 'portas' na área do treino se foram abrindo para mim" - explica o antigo aluno.

1. Licenciou- se no curso de Professores do Ensino Básico na variante de Educação Física. Foi uma opção tomada por vocação?
No início, confesso que tinha algumas reticências relativamente ao facto de dar continuidade à minha formação académica, em virtude de viver uma fase em que os sonhos de me tornar um atleta profissional na área do futebol eram muito grandes. No entanto, com a entrada no referido curso comecei, progressivamente, a desenvolver e sobretudo, a ficar fascinado com a possibilidade de poder, a médio prazo, contribuir para a formação de jovens na área da Educação Física e do desporto.

2. O que o levou a escolher a Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal?
Um pouco no seguimento do referido anteriormente, o futebol era, por essa altura, uma total obsessão. Eu jogava na equipa de juniores do Vitória Futebol Clube e sonhava com uma carreira no Clube. Nessa perspetiva, optei por estudar numa instituição que me permitia desenvolver ambas as atividades em paralelo e, também, fazê-lo num local que, no âmbito da formação de professores, possui credibilidade junto do mercado de trabalho.

3. Quais os momentos que recorda com mais carinho?
Os primeiros anos em que consegui conciliar ambas as atividades, permitiu-me fazer parte de uma turma que recordo pelo bom ambiente vivido e pela amizade/cumplicidade que tínhamos uns com os outros. Recordo-me de um concerto de Natal em que fomos "obrigados" a cantar para uma plateia e decidimos colocar óculos e chapéus estranhíssimos, a juntar aos adereços impostos. Uma situação um tanto aborrecida transformou-se num momento de puro divertimento desfrutado por todos (menos pela professora da altura, claro!). Foram muitos os momentos que recordo com alegria e nostalgia também, mas acima de tudo foram momentos que fazem parte da minha "história" e que me trazem saudade.

4. Quais destacaria como o melhor e o pior momento do curso?
O pior momento do curso aconteceu quando, fruto da minha não total assiduidade às aulas, me vi impossibilitado de continuar inserido na minha turma inicial (ter ido à queima das fitas dos meus colegas, ver e não poder fazer parte da festa, foi muito triste). Os momentos bons foram muitos. Mas sem dúvida, o facto de conhecer pessoas que me marcaram, como professores, colegas e funcionários, os quais de algum modo contribuíram para a minha formação social, profissional e até mesmo emocional, foram sem dúvida não só um, mas muitíssimos momentos extraordinários que destaco.

5. Como caracteriza a preparação que a Licenciatura lhe conferiu?
Acima de tudo, tenho a convicção que esta licenciatura, para além dos vastos conhecimentos que me proporcionou, orientou-me para uma profunda vontade de querer sempre continuar a formar-me e sobretudo informar-me.

6. Quais os locais onde realizou os vários estágios curriculares do curso?
No meu terceiro ano estive a estagiar numa escola no Seixal, confesso que não me recordo o nome, de qualquer modo não foi um estágio marcante. Tenho plena convicção que não consegui "entrar" na dinâmica funcional do estabelecimento de ensino e a motivação também não era a melhor. No quarto ano, estagiei numa escola no Montijo, onde tive a felicidade de trabalhar com um orientador de estágio competente, o Carlos Saraiva. Foi um estágio exigente e de muita qualidade, que se tornou especial para mim, em virtude de ter tido o privilégio de estar inserido num grupo de Educação Física que era muito solidário, competente e também descontraído.

7. Após a conclusão do curso exerceu lecionação?
Por incrível que pareça tenho duas experiências no ensino, mas totalmente "fora" da realidade para a qual me formei: estive um ano como Professor Assistente na Disciplina de Anatomofisiologia I, no Instituto Jean Piaget - Pólo de Santiago e, mais recentemente, em Cabo Verde, lecionei a Unidade Curricular de Metodologia do Treino Desportivo, na Universidade Intercontinental de Cabo Verde.

8. Fale-nos um pouco do seu percurso profissional.
O meu percurso profissional inicia-se em 2005, no Vitória Futebol Clube, desempenhando as funções de Preparador Físico. Esse constituiu um ano de ouro na história da instituição, em virtude da conquista da Taça de Portugal e consequente qualificação para as competições Europeias.

No ano seguinte, a equipa voltou a conseguir qualificar- se para a final da Taça de Portugal perdendo, no entanto, a mesma para o Futebol Clube do Porto e, fruto dessa final, conseguiu uma vez mais qualificar- se para a edição seguinte das Competições Europeias.

No meu terceiro e último ano, o Clube teve uma prestação menos conseguida no Campeonato conseguindo, ainda assim, permanecer na I Liga.

Paralelamente a esta atividade, tornei-me treinador assistente da Seleção Nacional A de Cabo Verde, em Maio de 2006, estreando-me num jogo entre as Seleções Nacionais A de Portugal e de Cabo Verde.

Em 2008 fui para Angola, onde desempenhando a função de treinador assistente no Interclube de Luanda, a Instituição venceu o seu primeiro título Nacional Sénior.

Em Março de 2009, um dia depois de o Interclube de Luanda ter vencido a Super Taça de Angola, rescindi o meu vínculo contratual com o Clube, para me tornar Selecionador Nacional A de Cabo Verde e Diretor Técnico Nacional da Federação Cabo Verdiana de Futebol.

Durante sensivelmente dois anos, desenvolvi um trabalho de reestruturação e desenvolvimento do futebol no País. Fruto desse trabalho, recebi em Novembro de 2009, um convite da Confederação Africana de Futebol, no sentido de me tornar instrutor C.A.F. para os Países de língua e expressão Portuguesa.

O ano de 2010 ficou marcado pelas dificuldades financeiras que a Federação Cabo Verdiana de Futebol viveu, as quais impediram que continuasse a desempenhar a minha função no País. Em virtude dessa situação, fui obrigado a rescindir o vínculo contratual que tinha e regressar a Portugal.

Em Maio de 2010, fui confrontado com o dilema de voltar a Cabo Verde ou treinar um Clube em Espanha. Optei pela segunda hipótese e fui para Ceuta.

Aí, vivi 6 meses de um trabalho apaixonante mas extremamente desgastante, onde a melhor recordação que guardo são os dois jogos dos dezasseis avos de final da Taça do Rei, nos quais a minha equipa jogou com o Futebol Clube Barcelona.

No dia 1 de Janeiro do presente ano, tomei a decisão de treinar o "histórico" Sporting Clube Farense, clube que atualmente compete na II divisão B de Portugal.

9. O Futebol é a paixão da sua vida ou partilha-a com outros sonhos?
O futebol é a segunda paixão da minha vida e, vem logo atrás da Vanda e da Joana, respetivamente Esposa e Filha.

No fundo, posso dizer que hoje em dia o futebol, não sendo a minha maior paixão, é com certeza o meu maior sonho. E digo-o somente porque o sonho da minha vida já o construí, a família.

10. Que conselhos deixa aos estudantes do IPS que os ajude na integração no mercado de trabalho?
Persistência, ânimo e muita convicção. O nosso futuro somos nós que o trilhamos todos os dias, em todos os momentos e a cada ação.

Gostaria que cada aluno que possa ler esta entrevista, interiorize que o processo de formação ao qual estão sujeitos neste momento, não parece mas é realmente muito curto, e que o devem aproveitar no sentido de conseguirem obter o máximo de conhecimentos possível com um aproveitamento escolar elevado.

Desse modo, as perspetivas de entrar no mercado de trabalho serão melhores e maiores.