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Estudantes Casos de Sucesso André Afonso
ANDRÉ AFONSO

Licenciado em Promoção Artística e Património ESE/IPS

1. Quando surgiu a paixão pelas artes e cultura e porquê a decisão de ingressar no Instituto Politécnico de Setúbal?

De uma forma mais consciente, o interesse pelas questões das artes e cultura começou a formular-se a partir do meu ingresso no ensino secundário. Tendo frequentado o agrupamento de artes na Escola Secundária Manuel Cargaleiro no Fogueteiro/Seixal (escola com alguma tradição nos domínios da formação artística inicial), o contacto, por um lado, com disciplinas práticas ligadas à expressão plástica (e.g. materiais e técnicas de expressão plástica, oficina de artes) e, por outro, com disciplinas de natureza teórica (e.g. história da arte, teoria do design), desenvolveu em mim um interesse bastante especial mas algo desordenado por estas áreas. Digo desordenado porque, de facto, este interesse nunca me fez procurar de uma forma intensa uma continuidade formativa nomeadamente ao nível de ensino superior. Não obstante, acabei por me candidatar e as duas primeiras opções recaíram, não sei ainda bem porquê, para as áreas do audiovisual e da publicidade e marketing, respetivamente. Na 3.ª opção surgiu, então, o curso de Promoção Artística e Património - curso com o qual tive o 1.º contacto no próprio dia da candidatura, quando estava a pesquisar no guia de apoio ao estudante. Felizmente, não fiquei colocado nas duas primeiras opções. A minha entrada no Instituto Politécnico de Setúbal foi, então, algo fortuita. Mas não foi uma coincidência, de todo.

2. Tendo sido um dos primeiros diplomados do Curso de Promoção Artística e Património, quais foram os aspetos positivos e negativos que destacaria ao longo dos três anos de licenciatura?

Não tenho quaisquer dúvidas em afirmar que foi com a minha entrada no curso de licenciatura em Promoção Artística e Património que comecei a traçar e a definir aquilo que queria seguir do ponto de vista profissional. O querer trabalhar nos domínios do património cultural, da museologia, da programação cultural, da cooperação com artistas, entre outras coisas, surgiu (ou foi surgindo) inegável e inequivocamente neste contexto. São interesses diversos - e impossível de aprofundar todos da mesma forma - que pretendo que me levem a frequentar, num futuro a médio prazo, um curso de mestrado numa destas áreas (ainda por definir). Penso que, a nível pessoal, este foi o aspeto mais positivo. Porque com interesse e motivação encaramos as coisas de uma forma completamente diferente - dedicamo-nos mais, tornamo-nos mais autodidatas, procuramos complementos à formação académica noutros locais e meios (conferências, cursos livres, voluntariado, etc.).

No que concerne aos aspetos menos positivos, parece- me importante salientar a fraca aposta na organização de atividades "extracurriculares" direcionadas especificamente aos alunos do curso. Deveria ter havido uma melhor articulação entre alunos, coordenação do curso e direção da escola para o desenvolvimento deste tipo de atividades. Por fim, torna-se premente (ou mesmo urgente) que o período de estágio curricular aumente consideravelmente. Com um estágio de cinco semanas o estagiário dificilmente se consegue integrar plenamente no local de estágio, dificilmente consegue integrar os diversos projetos desenvolvidos pela instituição e dificilmente consegue criar/desenvolver/implementar um projeto de raiz.

3. Como surgiu a ideia de criar a Associação Cultural e Artística Elucid'Arte?

A ideia que deu génese à criação da Associação formulou-se, inicialmente, a partir de algumas conversas que tive com o meu amigo e arquiteto Rui Pereira (atualmente discente do curso de licenciatura em Engenharia Civil na Escola Superior de Tecnologia do Barreiro) sobre o panorama das artes visuais em Setúbal e, especificamente, sobre a enorme escassez de espaços expositivos de qualidade na cidade. A ideia passava por se projetar uma pequena galeria de arte associada ao atelier de arquitetura do Rui Pereira para que se desenvolvesse algum trabalho essencialmente no campo da promoção de jovens artistas. A galeria acabou por nunca existir mas a ideia acabou por se metamorfosear na criação de uma associação cultural com objeto social nas áreas das artes visuais e do património cultural.

4. Que projetos desenvolve?

No campo das artes visuais, o cerne da questão reside essencialmente na concretização de um dos nossos principais objetivos (e compromissos para com a cidade e para com a comunidade): contribuir para a promoção das manifestações artísticas da contemporaneidade (e das dinâmicas a ela associadas) através da conceção e organização de exposições nos mais diversos espaços. Exposições que pretendemos que sejam diferentes e que contribuam, pedagogicamente, para uma educação do gosto e para a formação de uma cultural visual contemporânea numa cidade, na minha opinião, com uma cultura visual ainda muito tradicionalista e "oitocentista". A exposição coletiva MiSTA - Exposição de Arte Contemporânea, apresentada em 2009 nos Claustros do IPS, seguiu esse ideal.

A exposição Gabinete de Curiosidades, do artista Ricardo Leal Gomes, que estará patente ao público de 9 de Maio a 5 de Junho de 2010, surgiu também com essa ideia intrínseca. Temos desenvolvido também diversas atividades formativas (na maioria direcionadas para um público geral), tais como cursos de «Introdução à História da Arte» (já foram realizadas 3 edições); os cursos «História da Azulejaria Portuguesa (séc. XVI- XX)» e «A Arte da Talha em Portugal (sés. XVI- XIX)»; workshops na área das técnicas artísticas e arquitetura; o ciclo de conferências «acerca do património», realizado em 2009 no auditório da Escola Superior de Educação, entre outras. Mais no campo do património (apesar de muitas das atividades cruzarem diversas áreas culturais - e é mesmo esse o objetivo), temos colaborado com a Câmara Municipal de Setúbal na programação conjunta do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (entre outras datas comemorativas); realizámos, em 2008, a ação de sensibilização «Olha à tua Volta! - Patrimónios e Identidades», que consistiu na afixação de faixas amarelas (com informações históricas redigidas) em torno ou à frente de imóveis de valor patrimonial comummente ignorados pela maioria da comunidade, numa perspetiva de divulgação desses bens culturais. De momento, enveredámos também pela organização de iniciativas na área da música, sendo que estamos envolvidos numa temporada de música erudita/dita clássica (Intemporal - Temporada de Música) que terminará em Outubro de 2010. Alguns dos concertos desta temporada serão realizados nos Claustros do Instituto Politécnico de Setúbal. São estes alguns dos projetos que temos realizado.

5. Muitos planos para o futuro?

Os planos futuros da associação passam essencialmente por dar continuidade ao trabalho já desenvolvido, apostando na dinamização do património cultural (nomeadamente o edificado) através da realização, neste tipo de espaços, das mais variadas iniciativas, desde exposições de artes visuais a concertos. Para além da criação de novos projetos (nomeadamente no campo da arte contemporânea), pretendemos desenvolver novas edições de atividades já realizadas (cursos, ciclo de conferências, temporada de música, etc.).

Outra ambição da Associação passa por conseguir um espaço físico onde possa desenvolver a sua programação cultural. Para a concretização deste objetivo é essencial que se criem parcerias com as mais variadas instituições.

6. Qual a importância que atribui à experiência académica em Setúbal e de que forma contribuiu para o seu trabalho na associação?

Como já referi anteriormente, a minha experiência académica em Setúbal foi um marco decisivo para a definição dos meus objetivos em termos profissionais, sendo que a fundação da Associação Elucid'Arte é, de certa forma, uma consequência disso mesmo. Do ponto de vista das competências, é natural que muitos dos conhecimentos aprendidos e apreendidos ao longo da formação académica sejam constantemente utilizados e postos em prática no âmbito da atividade da Associação. Sumariamente, unidades curriculares como Língua e Comunicação Profissional e Economia, Gestão e Empreendedorismo foram e continuam a ser importantes para a própria gestão da Associação; unidades curriculares nas áreas da História da Arte e da História de Portugal ajudam-nos a entender melhor todos estes fenómenos e a melhor orientar, por exemplo, uma visita de estudo ao centro-histórico de Setúbal ou a redigir um texto mais fundamentado e verosímil de divulgação de um determinado bem cultural.

7. Para terminar, que conselho daria aos estudantes do Ensino Superior e aos recém-licenciados que andam neste momento à procura do primeiro emprego?

Mais importante que ser-se competente é, a meu ver, ser-se pró-ativo e dinâmico, considerando que no campo da cultura esta premissa tem ainda mais significado. Desta forma, é importantíssimo que os estudantes e ex-estudantes desenvolvam laços com a comunidade onde estão inseridos, que sejam agentes participantes e participativos na comunidade, que se aventurem por formações e voluntariados numa perspetiva de aquisição de conhecimentos e de enriquecimento curricular, que colaborem com instituições de diversas naturezas, que sejam empreendedores e que não tenham medo de errar. Enfim, toda esta multiplicidade de fatores permite que se crie uma rede de contactos que poderá abrir imensas perspetivas profissionais - e permite que se crie uma bagagem de competências que poderá ser essencial na procura e/ou criação de emprego.