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IPS centra estratégia numa 'mentalidade internacional'

12ª Semana Internacional abriu portas ontem, reunindo cerca de 30 parceiros estrangeiros

 

"A internacionalização tem que ser posta no centro da estratégia das instituições de ensino superior. Não é uma parte marginal das nossas atividades, deve ser incluída no ensino, na investigação e na relação com a nossa comunidade envolvente", defendeu ontem o presidente do Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), Pedro Dominguinhos, na sessão de abertura a 12ª Semana Internacional, que decorre até sexta-feira, reunindo mais de 120 participantes, 27 dos quais em representação de parceiros estrangeiros.

Numa edição especial comemorativa do 40º aniversário do IPS, o encontro internacional coloca o foco no futuro das redes de mobilidade no contexto do ensino superior, assinalando "uma mudança na estratégia de internacionalização" do próprio IPS. E que deverá passar, segundo o responsável, pelo reforço de "uma mentalidade internacional" transversal a todas as áreas e a toda a comunidade académica, e também por uma seleção mais rigorosa de parceiros estrangeiros, com quem seja possível desenhar novos projetos relevantes para a região. "Devemos investir em parcerias estratégicas para aumentar a mobilidade, o numero de projetos e, claro, o número de estudantes que possam disso beneficiar".

O presidente do IPS lembrou ainda que a componente internacional do ensino superior torna evidente uma outra missão, paralela à do desenvolvimento económico das regiões, e que é especialmente pertinente em tempos de retorno dos nacionalismos.  "As instituições de ensino superior são também um instrumento muito importante para promover o multiculturalismo e a paz. Temos a responsabilidade social de construir uma Europa mais aberta, igualitária e inclusiva", vincou.

Falando enquanto principal anfitriã de quem visita Setúbal por estes dias, a presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira elogiou a iniciativa referindo que, com este encontro, "o nosso politécnico dá passos muitos significativos na sua internacionalização, na captação de novos públicos estudantis e na atração para a nossa região de novas e capacitadas gerações de gente altamente qualificada". A autarca voltou igualmente a sublinhar o papel do IPS como "polo de conhecimento da maior importância para Portugal" e "parte fundamental da transformação por que tem passado a nossa cidade nos últimos anos", para reconhecer que, ao trabalhar ativamente na sua internacionalização, a instituição está, em última instância, "a trabalhar para a internacionalização de Setúbal".

Estudar no IPS é, por isso, "reunir o que há de melhor", rematou Maria das Dores Meira. "Por um lado, uma escola repleta de qualidades, com um corpo docente altamente preparado e com boas instalações e equipamentos; por outro, uma cidade bela, renovada e vibrante".

Seguindo um modelo de trabalho diferente face a anos anteriores, esta 12ª Semana Internacional vai proporcionar cinco dias de partilha através de várias sessões plenárias e mesas redondas, pondo em contacto estudantes, docentes e investigadores do IPS e os colegas convidados de instituições nacionais e internacionais com quem o IPS mantém relações de cooperação, nomeadamente de países como Alemanha, Bélgica, Holanda, Brasil, Ucrânia, Polónia, Finlândia, Dinamarca, Eslovénia e Uzbequistão.   

 

Bragança: um estudo de caso

Na primeira sessão plenária, foi apresentado o caso de Bragança como exemplo dos ganhos alcançados numa região do interior em resultado de uma estratégia de atração, acolhimento e integração de estudantes estrangeiros, partilhada entre o politécnico e a câmara locais. O município, com uma população residente, marcadamente envelhecida, de cerca de 34 mil pessoas, alberga hoje uma comunidade estudantil de nove mil jovens, dispersa pelas cinco escolas do Politécnico de Bragança (IPB), três mil dos quais vindos de fora do País.

"Estamos a atrair pessoas não só para estudar no politécnico, mas também para trabalhar na região", explicou Albano Alves, vice-presidente do IPB. Daí resultou, como elencou Hernâni Dias, presidente da Câmara Municipal de Bragança, não só um claro "rejuvenescimento da população", como também um aumento da qualidade de vida, patente em "bons índices de empregabilidade" e numa inovação aplicada a um modo de vida mais sustentável. "Bragança é, neste momento, o 16º concelho mais exportador da região norte, integrando igualmente o top 4 das cidades mais inteligentes de Portugal", exemplificou o autarca.    

 

 

06 novembro/2019

 

 

 

 

 

 

 

 

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